quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Salmo 133: Como é bom os irmãos viverem unidos!


Salmo 133

O texto
1. Cântico das subidas. Para Davi.

Vejam como é bom, como é agradável
Os irmãos viverem unidos.
2. É como óleo fino sobre a cabeça,
Descendo pela barba,
A barba de Aarão; descendo
Sobre a gola de suas vestes.
3. É como o orvalho de Hermon, descendo
Sobre os montes de Sião.
Porque aí Javé manda a bênção
E a vida para sempre.

Estrutura
O salmo 133 tem por característica o gênero sapiencial, onde é observada uma conversa didática cujo objetivo é realçar a importância do “sentar, viver” juntos. Divide-se em três partes: uma afirmação (v.1b), duas comparações (v.2-3a) e uma justificativa em forma de conclusão (v.3b).


Comentário
A primeira parte do salmo (v.1b) inicia-se com uma afirmação: Vejam como é bom, como é agradável os irmãos viverem unidos. A expressão “Vejam”, também traduzida por eis que, certamente indica a introdução de um aviso, de uma ordem (Gn 47.23) ou ainda de um anúncio profético (Jr 6.21; 9.6; 10.18)[1] que no caso deste salmo expressa uma chamada de atenção para o assunto seguinte: viverem juntos. O tom da poesia indica uma bem-aventurança, onde o termo tov, bom também pode ser traduzido por felicidade. O sentido do verso remete para a seguinte questão: a felicidade é o resultado de se viver junto.
Na segunda parte da poesia (v.2-3a), o salmista faz duas comparações para poder explicar a relevância do “viverem unidos”. A primeira comparação fala do óleo fino que desce sobre a barba de Aarão até a gola de suas vestes. O óleo era comumente usado com o objetivo de consagração e unção dos sacerdotes (Ex 30.22-33)[2]. É nesta imagem do sacerdócio que se encontra o ápice da comparação. Para Bortolini, “a fraternidade é um sacerdócio, uma unção que refresca e refaz a vida”[3]. Por isso, a comunhão entre irmãos é o sacerdócio que agrada a Deus. A segunda comparação (v.3a) relata a descida do orvalho do monte Hermon, que vai descendo até os montes de Sião.
O monte Hermon, na fronteira norte do território de Israel, carrega neves eternas em seu topo. De manhã, as encostas dessa montanha costumam acumular abundante orvalho. Os resultados disso não demoram a aparecer. A umidade dos ares do Hermon desce para Judéia, refrescando o clima em Jerusalém e nas colinas que a cercam, provocando névoas, nuvens e chuvas nascidas do orvalho do Hermon.[4]
Nesta simbologia, o objetivo do autor era de mostrar a fecundidade e a vida que é gerada pela fraternidade do “andar juntos”.
A terceira parte da poesia (v.3b) conclui o pensamento do salmista, onde a bênção e a vida são inerentes a uma convivência mútua do “viverem unidos”. A bênção de Deus não depende mais do sacerdote e sim do sacerdócio da comunhão entre irmãos.
[1] Siqueira, hinos do povo de Deus. 76
[2] Siqueira, tirando o pó.
[3] Bortolini, 550.
[4] Id, ibid., p.550.

3 comentários:

Hermes C. Fernandes disse...

Muito bom seu blog, Pr. Daniel. Parabéns. Já estou seguindo.
Aproveito para convidá-lo a conhecer o meu blog, e se desejar segui-lo, será uma honra.
Seus comentários também serão sempre bem-vindos.

www.hermesfernandes.blogspot.com

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

Uma alegria conhecer seu blog.

Que o Eterno resplandeça o rosto Dele sobre ti!

Deixo Sl 16.11

Um abraço, Pr Marcelo


Visite: http://davarelohim.blogspot.com/

E veja o texto:

As credenciais de João Batista

Pr. Daniel Stephen disse...

Olá meu caro Hermes, obrigado pelo apreço. Visitei seu blog e realmente é muito bom. Abraços!

Meu irmão Marcelo, obrigado pelas palavras e seu blog também é muito interessante.
Abraços!