segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Salmo 128: Feliz é quem teme ao Senhor!


Salmo 128
O texto
1 Canção das subidas.
Feliz quem teme a Javé
e anda em seus caminhos!
2 Comerá do trabalho de suas próprias mãos,
tranqüilo e feliz
3 Sua esposa será como vinha fecunda,
na intimidade do seu lar.
Seus filhos, rebentos de oliveira,
ao redor de sua mesa.
4 Essa é a benção para o homem
que teme a Javé.
5 Que Javé abençoe você desde Sião,
e você veja a prosperidade de Jerusalém
todos os dias de sua vida.
6 Que você veja os filhos de seus filhos.
Paz sobre Israel!


Estrutura

O salmo 128 é uma bem-aventurança que exalta a alegria da vida familiar. Esta poesia tem um caráter sapiencial e se divide em duas partes: v.1b-3; v.4-6. A primeira parte (v.1b-3) inicia-se com felicidade, enquanto a segunda parte (v.4-6) começa com a bênção. Felicidade e bênção estão presentes na vida de quem teme a Javé (v.1b e v.4).


Comentário
A primeira estrofe da poesia (v.1b-3) apresenta a relevância de temer a Javé e andar em seus caminhos, ou seja, em seus mandamentos (v.1b). Para tal prática, o salmista aponta três conseqüências de andar nos caminhos de Javé e, com isso, poder experimentar a felicidade. O primeiro resultado está ligado ao trabalho, que é seguido de tranqüilidade e felicidade (v.2). A alegria do ser humano está ligada em sua disposição em poder trabalhar e através desta prática tirar o sustento de seu lar: Comerá do trabalho de suas próprias mãos. O segundo resultado diz respeito à harmonia no casamento (v.3a). Neste aspecto, exalta-se a capacidade da mulher em poder procriar, gerar vida, pois esta é a maior dádiva de Javé. A esposa é comparada a uma vinha fecunda, figura esta, que no cenário do AT, significava “paz e prosperidade (...) símbolo de estabilidade e permanência na terra”[1]. Tal fecundidade depende, estritamente, da “intimidade do lar” (v.3a). O termo “intimidade” é significativo no salmo.
Na língua original, o sentido primeiro dessa palavra é “coxa”, “genitais”. Em sentido figurado significa “intimidade”, o lugar mais reservado da casa... Nota-se uma corajosa referência a sexualidade, dom de Deus.[2]
O terceiro resultado é uma conseqüência do segundo, onde mostra a presença dos filhos (v.3b), que se sentam ao redor da mesa com seu pai. Estes são comparados com a oliveira, que também é símbolo da fertilidade, da abundância. Para Bortolini, “ a oliveira com seus brotos representa, entre outras coisas, a vida que se renova a partir de um tronco envelhecido, porém cheio de vitalidade”[3]. Portanto, o sentido da vida que gera a felicidade está ligado, expressamente: ao trabalho, ao convívio matrimonial, a fecundidade e a comunhão com os filhos. A segunda estrofe da poesia (v.4-6) inicia-se com a bênção sobre a mesma pessoa que teme ao Senhor. Pelo o que tudo indica, esta poesia tem o papel fundamental no ambiente do culto a Javé, onde o sacerdote ministra a bênção sobre todo Sião.[4] Esta mesma bênção desdobra-se em três partes: a primeira refere-se à prosperidade de Jerusalém, onde o justo não somente é um espectador, mas também é contemplado por tal graça (v.5); a segunda apresenta a vida extensa em saúde que dá a possibilidade de conhecer os próprios netos (v.6a); e a terceira é a paz que permeia no horizonte de todo o Israel (v.6b).


[1] SIQUEIRA, 2006, p.127.
[2] BORTOLINI, 2006, p. 531.
[3] Id, ibid., p. 532.
[4] Id, ibid., p.532.

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