segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Salmo 126: "Me bilisca pra ver se estou sonhando!"


Salmo 126


O texto1. Cântico das Subidas.
Ao voltar, Javé, os cativos de Sião,
nós éramos como quem sonha.
2. Então, encheu-se de riso nossa boca.
Então, disseram entre as nações:
Javé fez grandes coisas para fazer com esses.
3. Javé fez grandes coisas para fazer conosco;
Estávamos alegres.
4. Retorna, Javé, os nossos cativos,
como as correntes no Negeb.
5. Os que semeiam em lágrimas,
Em gritos de júbilo colherão.
6. Ao caminhar e ao chorar ele caminhará,
carregando o saco de semente;
Ao voltar, ele virá com gritos de júbilo,
carregando seus feixes.

Estrutura
O salmo 126 mescla tanto a ação de graças quanto à súplica. Como pode observa ele se estrutura em duas partes: proclamação de salvação, em forma de louvor (v.1b-3) e o lamento juntamente com a promessa confortadora (v.4-6). Esta segunda parte revela uma súplica coletiva, onde a comunidade mantém sua esperança em Javé que pode mudar a sorte deles.


Comentário
A primeira estrofe da poesia (v.1b-3) apresenta o clima de grande alegria pelo feito de Javé que restituiu a terra natal ao seu povo. Expressões como “risos”, “alegrias”, “sonhos”, “canções” realçam a poesia e expressam a relevância da ação divina que os fez voltar do cativeiro. A frase, Ao voltar, Javé, os cativos de Sião, é uma declaração sobre a “restituição para o estado original”. Para Tércio Siqueira, “trata-se de uma expressão que quer comunicar uma mudança histórica para um novo estado. Os que foram libertados sentiam-se como estivessem sonhando (At 12,9).”[1] O milagre da intervenção salvífica de Javé parecia ser como um sonho para eles.A segunda estrofe da poesia (v.4-6) é apresentada em forma de súplica. A intenção do salmista é rogar a Javé que manifeste seu poder da mesma forma com que ele agiu no passado, trazendo de volta seus conterrâneos do cativeiro. Enquanto na primeira estrofe o clima era de alegria, nos versos seguintes o poeta deixa transparecer a sua preocupação e juntamente com o povo expressa, em forma de súplica, o seu desejo de libertação do cativeiro: “Retorna, Javé, os nossos cativos” (v.4a). Para este pedido o autor usa duas figuras: do negueb e da semeadura. “Negueb é o deserto ao sul de Judá, e as torrentes são os rios temporários, que se enchem de água durante o período das chuvas, levando vida ao deserto”[2]. Esta imagem revela a situação de caos, “deserto” em que o povo estava enfrentando e as “torrentes do negueb” é a esperança de vida para esta população. A segunda imagem usada pelo salmista é da semeadura. Este momento abarca o período agrícola: chuva, semeadura e colheita. O salmista apresenta o drama vivenciado pelo povo por meio da semeadura, pois esta era praticada “em lágrimas”, “andando e chorando”. Porém, a esperança é que logo após a semeadura vêm os tempos de colheitas e esta é celebrada com júbilo. Para Bortolini, “as lágrimas do semear aumentam a alegria do colher”[3]. Por este caminho trilha o pedido de restauração do salmista, onde a sua confiança e esperança estão em Javé que pode reverter a situação em que ele e sua comunidade estão enfrentando.


[1] SIQUEIRA,
[2] BORTOLINI, 2006, p. 524.
[3] Id, ibid., p. 525.

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