sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Salmo 124: Javé está do nosso lado


Salmo 124

O texto
1. Cântico das Subidas. Para Davi.
Se Javé não houvesse estado por nós – diz Israel;
2. Se Javé não houvesse estado por nós – diz Israel,
ao levantar contra nós os humanos
3. Certamente, nos teriam engolidos
ao tornar quente a ira deles conta nós.
4. Certamente, as águas nos teriam escavados
a corrente de água passou sobre a nossa garganta;
5. Certamente, ela passou sobre a nossa garganta,
as águas impetuosas.
6. Bendito (seja) Javé,
O que não nos entrega (por) presa para os seus dentes.
7. Nossa vida, como um pássaro foi salva da rede
dos que põem armadilhas.
A rede rompeu-se e nós nos salvamos.
8. Nossa ajuda (está) no nome de Javé,
Aquele que criou céus e terra.

EstruturaO salmo 124 é um hino de gratidão a Javé pelos seus feitos. Dividi-se em duas partes: v.1b-5; v.6-8. A estrutura desta poesia se assemelha com a do salmo 129, seguindo um mesmo padrão: uma introdução (v.1b), uma exortação (v.1b-2), olhar sobre a necessidade do passado (v.2b), louvor (v.6a) e relato dos atos de Javé (v.6b).

Comentário
O salmo 124 é uma poesia que expressa ação de graças coletiva. Um grupo de pessoas que se lembram das dificuldades e tormentos vivenciados no dia-a-dia que foram superados pelo socorro divino. Para isso, a comunidade se reúne para agradecer a presença de Javé por estes atos de libertação.
A primeira parte da poesia (v.1b-5) é marcada por duas frases semelhantes (v.1b-2a) e que enfatizam a presença marcante e necessária de Javé na vida do povo. São frases condicionais, lulê Yahweh xehayah lanu, “se Javé não estivesse conosco”, que exprimem a relevância da presença divina. Esta expressão do salmista revela sua intenção retórica para com seus ouvintes, onde seu objetivo é convencer o povo a não esquecer-se dos atos salvíficos de Javé na história. O fator chave que leva o salmista a trazer a memória do povo este caso é a presença opressora do `adam (v.2b). Sua intenção é alertar a comunidade para não cair nas mãos dos inimigos (`adam) que oprimem. Tércio Siqueira relata que:
o uso do termo hebraico `adam (v. 2b) envolve muitos sentidos, no AT, porém aqui, ele deve ser entendido como oposição a Javé. Assim, o salmista argumenta que a companhia de Javé é desejável para a segurança da comunidade dos fiéis, mas a presença de `adam é uma constante ameaça para a comunidade.[1]
Os versos 3-5 apresentam as supostas conseqüências que o povo enfrentaria se caso Javé não estivesse do lado deles. Divide-se em três frases que se iniciam com a partícula conjuntiva `azay, então, certamente, desse modo. Em cada uma dessas frases revelam a densidade da violência com que os inimigos manifestariam contra o povo de Deus. No verso 3, com o verbo bala´, engolir (v.3a), o salmista revela a ação inimiga como as águas impetuosas que “engolem” a tudo que aparece pela frente. Este verbo é usado no sentido de total destruição e sem deixar qualquer rastro. Na segunda frase é usado o verbo xatap, escavar (v. 4a) que revela, de forma mais ampla, a destruição que pode ser causada por uma torrente que produz crateras profundas por onde passar. Na terceira frase (v.4b-5a) completa-se a idéia de destruição onde estas águas impetuosas “atravessariam a garganta” deles.
A segunda parte da poesia é iniciada com a expressão baruk Yahweh, bendito (seja) Javé! (v.6a), que é uma expressão de louvor a Javé pelo fato de se fazer presente na vida da comunidade com seus atos salvíficos (v.6-8). “Significa reconhecer alguém em sua posição de poder”.[2] Portanto, um gesto de ação de graças, onde os celebrantes louvam ao Senhor pelos seus feitos (v.3-5). O verso 7 apresenta uma imagem figurativa do povo como um pássaro que “escapou” da rede do passarinheiro. É uma declaração muito comum do período pós-exílico usada pelos sábios para descrever a situação do povo (Pr 6,5; 7,23; Sl 91,3). O verso 8 é a conclusão da poesia, onde o autor expressa, juntamente com os fiéis, sua fé e confiança em Javé, Aquele que criou o céu e a terra e que pode os livrar de qualquer tipo de perigo.

[1] SIQUEIRA, 2009, ...
[2] KRAUS, Hans-Joachim. Salmos 60-150, Madrid: Cristiandad, 1998, p. 439-442.

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